Rotação e conversão de opioides
Converte a dose de um opioide em sua dose equianalgésica no opioide-alvo e mostra um resultado por referência, para você ver a variação entre as fontes. Aplica a redução por tolerância cruzada.
Ferramenta de apoio à decisão, para uso por profissionais de saúde. Não substitui o julgamento clínico nem a avaliação individual do paciente. A equianalgesia é uma estimativa e varia conforme a referência. Uma tabela de MME (equivalente em miligramas de morfina) mede exposição e não deve ser aplicada automaticamente como prescrição de rotação. Metadona e buprenorfina não usam o cálculo linear — cada uma tem o seu módulo próprio abaixo.
Opioide de origem
Dose total nas últimas 24 h.
Opioide de destino
Para quem você quer converter.
Redução por tolerância cruzada
Orientação: aproxime-se de 50% em dose alta, idoso ou debilitado; ~25% nas demais situações ou em mudança apenas de via. A redução é aplicada igualmente a todas as referências.
Conversão de metadona
A potência da metadona é não linear e aumenta com a dose; a conversão deve ser individualizada e conduzida por profissional experiente. Esta seção aplica os métodos escalonados do NCCN (National Comprehensive Cancer Network) e do VA/DoD (Department of Veterans Affairs / Department of Defense) lado a lado.
Orientações de segurança — metadona
- Prescrição por profissional experiente ou com apoio de especialista em dor/cuidados paliativos.
- Meia-vida longa e variável (média ~22 h, 5–130 h): acúmulo tardio; titule devagar e só após o equilíbrio (5–7 dias).
- Risco de QTc (intervalo QT corrigido) longo e interações pela enzima CYP3A4 (citocromo P450 3A4): indutores ou inibidores alteram muito os níveis séricos; avalie ECG (eletrocardiograma) conforme o caso.
- Resgate para dor irruptiva deve ser opioide de curta ação (não metadona) até atingir o equilíbrio.
- Métodos descritos (sem superioridade comprovada): conversão rápida (troca no 1º dia) ou gradual/faseada (substituição de 1/3 a cada etapa, ao longo de dias/semanas).
- Metadona oral → parenteral ≈ 2:1 (ex.: 20 mg por via oral ≈ 10 mg por via endovenosa).
- As razões já incorporam redução por tolerância cruzada incompleta; em oMEDD alto pode ser preciso reduzir ainda mais.
Conversão de Buprenorfina
A buprenorfina é agonista parcial de alta afinidade e efeito-teto: a APA (American Psychiatric Association) e a VA/DoD (Department of Veterans Affairs / Department of Defense) desaconselham convertê-la para MME (equivalente em miligramas de morfina) na rotação ou na avaliação de risco de overdose. A transição segue protocolos de indução e desmame, não um fator linear. Risco central: abstinência precipitada.
Orientações de segurança — buprenorfina
- Abstinência precipitada: a alta afinidade desloca agonistas completos do receptor µ. Reduza o opioide de base e/ou aguarde sinais de abstinência leve antes de iniciar a buprenorfina.
- Indução buccal/filme: inicie a buprenorfina 8–12 h após a última dose do agonista completo (protocolo VA/DoD).
- Transdérmica: adesivo de 7 dias; iniciar 5 mcg/h se < 30 mg/dia (ou virgem de opioide), ou desmamar a ≤ 30 mg/dia antes de iniciar 10 mcg/h se 30–80 mg/dia; máx. 20 mcg/h. Suspenda os demais opioides de horário fixo ao iniciar.
- Ao sair da buprenorfina: meia-vida transmucosa longa (~24–42 h); aguarde sinais de abstinência leve antes de iniciar o novo opioide.
- Não converta buprenorfina para MME na rotação ou na avaliação de risco de overdose (APA, VA/DoD). A ANZCA (Australian and New Zealand College of Anaesthetists) publica um fator de oMEDD (dose diária de morfina oral equivalente) — transdérmica ×2, sublingual ×40 — apenas para comparação de exposição.
- De metadona para buprenorfina: avaliação ainda mais cuidadosa (meia-vida longa/variável da metadona e maior variabilidade das razões).
Como calculamos · fatores por referência
REFERENCES do código. A tabela mostra o fator → morfina oral (OME) de cada via, por referência. "—" indica que aquela fonte não define o par.OME = equivalente de morfina oral. Por referência: dose de origem × fator de origem = OME; OME ÷ fator do destino = dose equianalgésica; aplica-se a redução por tolerância cruzada e arredonda-se para baixo. Fentanil transdérmico em mcg/h (≈ 25 mcg/h ↔ 60 mg/dia de morfina oral). A via SC é aproximada à parenteral nas referências que não a especificam. Metadona e buprenorfina não entram no cálculo linear — cada uma tem o seu módulo próprio logo abaixo da calculadora.
Referências
- CDC (2022) — Dowell D et al. CDC Clinical Practice Guideline for Prescribing Opioids for Pain, MMWR 2022. Atualização de 2022: hidromorfona 4→5, tramadol 0,1→0,2, tapentadol 0,4, fentanil TD 2,4. Cobre vias orais; não se destina à conversão EV→oral nem de metadona.
- ANZCA 2025 (FPM) — PS01(PM) Appendix, Opioid Dose Equivalence (oMEDD), out/2025: tapentadol 0,3; fentanil TD ×3; hidromorfona oral 5 / parenteral 15; morfina parenteral ×3. Publica também buprenorfina TD ×2 / SL ×40, mas apenas para comparação de exposição (ver módulo de buprenorfina). Exclui metadona pela farmacocinética complexa.
- PCNOW / Fast Fact — Calculating Opioid Dose Conversions: 10 mg de morfina parenteral = 25 mg oral; hidromorfona 2 mg parenteral = 5 mg oral; oxicodona 20 mg oral.
- UIowa / MD Anderson — Equianalgesic Chart: 10 mg de morfina IV = 30 mg oral (dose crônica); 7,5 mg de hidromorfona oral = 30 mg de morfina oral; redução de 30–50% por tolerância cruzada.
- Tapentadol — divergência entre fontes: FPM UK 0,4 vs ANZCA 0,3 (Mercadante ~0,3, amostra pequena).
- Metadona (módulo próprio) — VA/DoD (razões por oMEDD: 2:1/4:1/8:1/12:1); NCCN Adult Cancer Pain v1.2026 (oMEDD < 60 → 2–7,5 mg/dia; 60–199 → 10:1; ≥ 200 → 20:1, máx. inicial 45 mg/dia); CDC/JAMA (fator de exposição escalonado da metadona); reverso 1:3 a 1:4,7. Métodos e cautelas conforme VA, NCCN e rótulo do FDA.
- Buprenorfina (módulo próprio) — Transdérmica (FDA, bula do sistema transdérmico): < 30 mg MEDD (ou virgem) → 5 mcg/h; 30–80 mg → desmamar a ≤ 30 mg/dia e iniciar 10 mcg/h; > 80 mg → 20 mcg/h pode ser insuficiente (máx. 20 mcg/h, adesivo de 7 dias). Buccal (VA/DoD): 80–160 mg → 300 mcg 12/12h; 161–220 → 450 mcg 12/12h, 8–12 h após a última dose; alternativa de titulação cruzada (4–8 dias). FDA (bulas de buprenorfina), APA — Treatment of Opioid Use Disorder in the General Hospital (2022). Saída por desmame/titulação, sem fator linear.
Valores de partida para validação. Ajuste-os à fonte oficial da sua instituição antes do uso clínico.
Legenda — siglas e abreviações
- OME — equivalente de morfina oral
- MME — equivalente em miligramas de morfina
- oMEDD / MEDD — dose diária de morfina (oral) equivalente
- EV (IV) — via endovenosa (intravenosa)
- SC — via subcutânea
- TD — transdérmica
- SL — sublingual
- QTc — intervalo QT corrigido
- CYP3A4 — enzima do citocromo P450 3A4
- CDC — Centers for Disease Control and Prevention (EUA)
- ANZCA / FPM — Australian and New Zealand College of Anaesthetists / Faculty of Pain Medicine
- PCNOW — Palliative Care Network of Wisconsin
- NCCN — National Comprehensive Cancer Network
- VA/DoD — Department of Veterans Affairs / Department of Defense (EUA)
- APA — American Psychiatric Association
- FDA — Food and Drug Administration (EUA)